Por Eric Costa e Silva, poeta e
estudante de jornalismo.
Certa tarde em meio ao seu
trabalho, o dono da construção chega com uma maleta na obra pela primeira vez
com novas ferramentas para presentear o operário e pergunta:
Bom Burguês: Até quando vão afundar
a nossa verdade, já que nenhum político e partido nos representam? Por onde
anda a nossa felicidade?
O trabalhador em meio a sua
sabedoria que se funda na simplicidade, responde:
Operário de camisa branco: Olha senhor!
Minha felicidade não está apenas no trabalho de edificar a nossa cidade. Minha
felicidade hoje eu posso alcançar, pois os que sempre nos representaram no
passado, não fugiram das ruas e de nosso convívio. Meus representantes sempre optaram por um rumo certo e nunca nos deixaram na mão.
Com o rosto franzindo de tanta
raiva, o dono da obra saca uma pilha de jornais da sua maleta e esbraveja:
Bom Burguês: - Veja meu bom operário!
A Câmara dos Deputados Federais foi acuada por nossa voz. Eles mudaram sua
opinião sob um Projeto de Emenda a nossa Constituição que eles mesmos proporão
para roubarem mais verbas do povo.
O operário passa a mão na garrafa
de água, mais uma vez coça a cabeça, limpa as mãos e logo após, segue alegre:
Operário de camisa branco: - Olha
lá patrão! Ali vem subindo meu filho homem único, ele é aluno do curso de
jornalismo por mérito e devido a um programa dos setores que olham por nós.
O dono da nova edificação espera
os passos do jornalista em formação chegarem ao lugar onde ele está. No momento
em que o jovem velho chega com a marmita o patrão logo pergunta:
Bom burguês: - Viu os jornais de
hoje? Derrubamos mais um ato espúrio destes políticos que não mais nos
representam. O caudilho e sua laia foram derrotados.
O jovem imbuído de um tino
voltado ao diálogo contestador, responde:
Bom Selvagem: - Meu caro! Como
pode saber a opinião de todos os deputados antes mesmo desse projeto ser
votado. Mostra-me essa luneta esquelética que sobrepõe a sua verdade pela
vontade de cada deputado. Foram todos eles que declaram seu voto a sua pessoa?
Com o rosto branco, agora
totalmente rosa choque, com os sentidos de sua razão ecoa:
Bom burguês: - Fique vocês com os
seus sonhos, até as novelas deixaram de ser veiculadas para fazer corro a
divulgação de nossos gritos e não quero mais falar.
Sem ouvir as outras razões, um
princípio básico da democracia e da criação de um consenso saiu com os sapatos
negros bem engraxados.
Ao ver o fim do diálogo o jovem
velho passou a falar auto:
Bom Selvagem: - Não queira dizer que as consciências de
todos os deputados são tomadas apenas pela vontade de uns. As estrelas que
brilham em nossas fileiras dialogam conosco e nos escutam. Somos plurais e não agredimos quem vai às ruas
com suas cores, a violência por nós sofrida, também é uma violência contra o Estado
Democrático de Direito.
